China critica veto dos EUA ao uso de IA DeepSeek em órgãos federais
Pequim classificou a decisão norte-americana como discriminatória e exigiu a revogação imediata das medidas restritivas.
O Ministério do Comércio da China manifestou forte oposição nesta terça-feira à ordem do governo dos Estados Unidos que proíbe o uso do modelo de inteligência artificial DeepSeek em sistemas de agências federais civis norte-americanas. O governo chinês argumenta que a medida prejudica os interesses de empresas do país e desconsidera acordos previamente firmados entre os líderes das duas nações.
A restrição foi determinada pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, que ordenou a remoção de produtos da DeepSeek e de serviços de terceiros baseados na tecnologia dos sistemas de tecnologia da informação das agências federais civis. Além disso, a diretriz impede que esses órgãos públicos realizem novas aquisições de ferramentas vinculadas à startup chinesa.
De acordo com o departamento norte-americano, os modelos da DeepSeek representam múltiplos vetores de ameaça à segurança nacional. A justificativa aponta o temor de que o uso das ferramentas por funcionários governamentais ou fornecedores resulte na transferência de dados confidenciais para o território chinês, facilitada pela legislação local que concede ampla autoridade ao governo para acessar infraestruturas privadas.
Diante do cenário, Pequim cobrou que Washington corrija o que chamou de práticas incorretas e revogue as medidas restritivas discriminatórias. O governo chinês declarou que acompanhará de perto os desdobramentos da situação e adotará todas as providências necessárias para salvaguardar os interesses de suas companhias no exterior, defendendo também o uso de canais diplomáticos bilaterais para a solução de divergências.
A tensão diplomática também se intensificou devido a sanções anunciadas pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos contra cinco entidades chinesas, acusadas de suposto roubo de segredos comerciais relacionados ao setor de inteligência artificial. Entre os alvos está a Shanghai Zhisuan Technology, fundada por um ex-engenheiro de software, além de uma empresa de capital de risco e outras três entidades associadas.
O Ministério do Comércio da China rejeitou as acusações e acusou Washington de inflar artificialmente a questão do suposto roubo de propriedade intelectual com o objetivo de difamar as empresas chinesas. A DeepSeek, que ganhou projeção global com um chatbot de baixo custo e alto desempenho, tornou-se um símbolo da intensa competição tecnológica e geopolítica entre as duas maiores economias do mundo.
Fontes consultadas
- China exige que EUA revoguem veto ao DeepSeek | G1 g1.globo.com
- China exige que EUA retirem DeepSeek de lista de proibições em órgãos federais olhardigital.com.br
- EUA vetam uso de IA chinesa DeepSeek em agências governamentais correiodopovo.com.br
- Governo dos Estados Unidos veta uso da IA chinesa DeepSeek em agências governamentais opovo.com.br
- EUA vetam DeepSeek em sistemas de agências civis - SpaceMoney spacemoney.com.br