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Ciência

Cientistas desenvolvem micro-organismo para viabilizar colonização de Marte

Pesquisadores criaram o micrômetro sPL.001 capaz de sobreviver a simulações de solo e atmosfera marciana para produzir bioplásticos e materiais.

Por 3 min de leitura

Cientistas desenvolvem micro-organismo para viabilizar colonização de Marte
Cientistas desenvolvem micro-organismo para viabilizar colonização de Marte

Pesquisadores da organização de biotecnologia Pioneer Labs, localizada em Emeryville, na Califórnia, desenvolveram um micro-organismo geneticamente modificado que pode representar um passo inicial em direção à colonização e à terraformação de Marte. O anúncio foi feito pela empresa, destacando o potencial de utilizar recursos locais do Planeta Vermelho para suprir as necessidades de futuros exploradores humanos.

A exploração do planeta vizinho já acumula cerca de 50 missões robóticas desde 1960, lideradas por agências espaciais e empresas privadas. O objetivo de longo prazo é o envio de missões tripuladas que não dependam exclusivamente do envio contínuo de suprimentos a partir da Terra, permitindo o aproveitamento de elementos locais para a obtenção de água, ar, alimentos e materiais de construção.

No entanto, o principal obstáculo para a agricultura e o desenvolvimento em Marte é a toxicidade de sua superfície. O solo marciano contém misturas de sais e perclatos que dificultam o crescimento da maioria dos organismos terrestres. Estratégias anteriores consideravam a lavagem dos compostos tóxicos, a importação de fertilizantes ou o uso exclusivo de hidroponia, alternativas consideradas limitadas em termos de tempo e custo.

Para superar esse desafio, a equipe liderada por Erika DeBenedictis treinou bactérias terrestres capazes de produzir bioplásticos por meio de um processo de evolução gradual em ambientes simulados com a química de Marte. O micro-organismo resultante, chamado sPL.001, consegue se nutrir diretamente de regolito marciano simulado, água e ar, sem a necessidade de remoção prévia de toxinas ou adição de fertilizantes.

O organismo gerado tem a capacidade de produzir bioplásticos, materiais amplamente utilizados na Terra para fins variados que poderiam ser empregados na construção de abrigos no planeta. A CEO da Pioneer Labs explicou que o processo imita a dinâmica da natureza ao criar solo fértil, oxigênio e infraestrutura a partir dos recursos disponíveis no local.

Para garantir a segurança ambiental, os cientistas impuseram limitações biológicas ao micro-organismo. O sPL.001 requer um biorreator aquecido e protegido contra radiação extrema e baixas temperaturas, além de uma fonte processada de nitrogênio na forma de acetato, uma vez que a atmosfera marciana é muito rarefeita. Os pesquisadores afirmam que essas restrições impedem a sobrevivência do organismo caso ele escape para o ambiente externo, reduzindo o risco de contaminação de eventuais formas de vida nativas.

Especialistas externos avaliaram a pesquisa com cautela otimista. Samuel McKee, cientista da Universidade de Reading, apontou que organismos modificados frequentemente não sobrevivem fora de ambientes controlados. Contudo, os próprios criadores ressaltam que o teste definitivo ocorrerá apenas quando a tecnologia for aplicada diretamente sobre o solo real de Marte.

Fontes consultadas

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