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Clima

El Niño forte traz riscos de chuvas intensas e perdas na agricultura

Fenômeno climático intensifica precipitações no Centro-Sul e agrava estiagens no Norte, ameaçando a produtividade de grãos.

Por 3 min de leitura

El Niño forte traz riscos de chuvas intensas e perdas na agricultura
El Niño forte traz riscos de chuvas intensas e perdas na agricultura

O fenômeno climático El Niño continua ganhando força no Pacífico Equatorial e deve provocar impactos significativos nas próximas semanas em diversas regiões do Brasil, combinando chuvas excessivas no Centro-Sul e agravamento da estiagem no Norte do país. Boletins meteorológicos recentes indicam que as anomalias de temperatura da superfície do mar atingiram patamares classificados como de um Super El Niño, gerando um cenário inédito de intensidade para esta época do ano.

Nas áreas entre o Centro-Oeste, Sudeste e Sul, a projeção aponta para volumes de precipitação acima da média e alta frequência de temporais. Estados como Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e partes do Rio Grande do Sul devem registrar chuvas volumosas. A região compreendida entre o oeste paranaense, o oeste catarinense e o noroeste gaúcho pode acumular índices de até 500 milímetros nas próximas semanas, elevando o risco de inundações e cheias de importantes rios.

Em contrapartida, a Região Norte segue enfrentando um cenário preocupante de seca severa. O El Niño contribui para a redução das chuvas e elevação das temperaturas em áreas do Leste do Amazonas, Roraima, Pará, Acre e Rondônia, mantendo os níveis dos rios baixos e comprometendo tanto a navegação quanto o abastecimento de comunidades ribeiriças.

Além dos impactos diretos na meteorologia e na infraestrutura local, o fenômeno climático acende um alerta na economia agrícola. Um estudo divulgado pela Serasa Experian aponta que os riscos associados ao El Niño podem causar prejuízos de até R$ 33 bilhões na safra de soja do Brasil, dependendo da distribuição das chuvas durante as fases cruciais de desenvolvimento das lavouras.

Apesar de o país projetar uma expansão na área plantada de soja, a falta de chuva e o calor excessivo em regiões produtoras estratégicas poderiam derrubar a produtividade. O estado de Mato Grosso pode registrar perdas significativas de volume, assim como Goiás, enquanto estados como o Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia e Maranhão também aparecem nas projeções de queda.

Por outro lado, os efeitos do fenômeno variam conforme a localidade. No Rio Grande do Sul, onde o padrão climático do El Niño costuma favorecer volumes maiores de precipitação, a produção de soja tem perspectiva de crescimento, ilustrando a assimetria dos impactos em território nacional.

Especialistas ressaltam que o risco climático ainda não desapareceu para a safra atual, exigindo condições favoráveis nas etapas de florescimento e formação dos grãos que ocorrem em novembro e dezembro. Embora a redução na oferta de grãos possa influenciar a alta nos preços e alterar o impacto financeiro final, o setor produtivo segue em monitoramento constante.

Fontes consultadas

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