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Ciência

Estudos sobre o gelo polar avançam em tecnologia e revelam perdas climáticas

Cientistas desenvolvem materiais ultrarresistentes inspirados no gelo, enquanto pesquisas apontam a inevitabilidade do degrau antártico e o uso do gelo para descobertas astronômicas.

Por 3 min de leitura

Estudos sobre o gelo polar avançam em tecnologia e revelam perdas climáticas
Estudos sobre o gelo polar avançam em tecnologia e revelam perdas climáticas

Pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel, desenvolveram um novo material composto chamado BioPykrete, que mistura água congelada, nanocristais de celulose e uma proteína quimérica para atuar como uma cola molecular. Nos testes de laboratório, o composto apresentou uma resistência cerca de dez vezes superior à do gelo comum, igualando-se a níveis de concreto convencional e absorvendo energia de maneira mais gradual antes de sofrer ruptura.

A invenção busca solucionar a fragilidade estrutural típica do gelo tradicional, cujas microfissuras costumam se propagar rapidamente sem encontrar obstáculos. Com o uso da rede de celulose como barreira e da proteína como ponte molecular, a tecnologia abre perspectivas futuras para a construção de infraestruturas temporárias e bases em regiões de frio extremo, como o Ártico e a Antártida, reduzindo a necessidade de transporte de materiais pesados.

Enquanto novas tecnologias exploram a maleabilidade do gelo, o continente antártico segue no centro das preocupações sobre o aquecimento global e a elevação do nível dos oceanos. Um estudo recente publicado na revista Nature Geoscience utilizou inteligência artificial baseada em física para analisar centenas de milhares de cenários futuros e concluiu que a perda de massa de gelo na Antártica neste século é inevitável.

Segundo os pesquisadores responsáveis pela análise, mesmo que a humanidade consiga cumprir a meta mais ambiciosa do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a 1,5 grau Celsius, o continente perderá mais gelo do que ganhará. O estudo aponta que o aumento da neve gerado por um ar mais úmido não será suficiente para compensar o derretimento provocado pelo aquecimento oceânico, o que poderá elevar o nível do mar em até 25 centímetros até 2100 em cenários de altas emissões.

Em paralelo aos impactos climáticos, o gelo antártico também tem servido como ferramenta fundamental para a pesquisa astrofísica mundial. O cientista belga Francis Halzen foi anunciado como o vencedor do Nobel de Física por sua pesquisa pioneira iniciada na década de 1980, que propôs o uso do gelo do Polo Sul para a detecção de neutrinos, partículas subatômicas extremamente difíceis de rastrear.

A ideia de Halzen resultou na construção do IceCube, um observatório equipado com sensores enterrados em um quilômetro cúbico de gelo antártico. O instrumento tem permitido o registro de neutrinos de alta energia oriundos de regiões distantes do universo, abrindo caminho para uma nova era na astronomia e fornecendo dados inéditos sobre fenômenos cósmicos extremos que cruzam o cosmos quase sem interagir com a matéria.

Ainda no contexto das regiões polares, a exploração científica do Ártico registrou novos marcos operacionais com o retorno dos quebra-gelos de pesquisa chineses Xuelong e Xuelong 2 a Xangai. Após quase três meses de navegação na décima sexta expedição nacional ao Oceano Ártico, as embarcações completaram missões de monitoramento ambiental e investigações científicas avançadas, marcando recordes de escala e cooperação internacional na busca por respostas às mudanças climáticas.

Fontes consultadas

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