Pular para o conteúdo
Economia

Fabricantes pressionam Congresso dos EUA para banir veículos chineses

Associação do setor automotivo alega riscos de segurança nacional e vigilância devido à conectividade dos carros modernos.

Por 3 min de leitura

Fabricantes pressionam Congresso dos EUA para banir veículos chineses
Fabricantes pressionam Congresso dos EUA para banir veículos chineses

Uma coalizão de fabricantes de automóveis que operam nos Estados Unidos intensificou a pressão sobre o Congresso americano para proibir definitivamente a venda de veículos produzidos por empresas chinesas no país. A iniciativa, liderada pela Alliance for Automotive Innovation, argumenta que a arquitetura eletrônica e a alta conectividade desses automóveis podem representar vulnerabilidades estratégicas, permitindo a coleta de dados sensíveis e o monitoramento de infraestruturas críticas.

A associação, que representa marcas como General Motors, Ford, Toyota, Volkswagen, Honda e Stellantis, defende que a proibição é necessária para proteger a segurança nacional. Segundo John Bozzella, presidente da entidade, a preocupação central não reside apenas na concorrência comercial, mas na possibilidade de que empresas submetidas a legislações estrangeiras sejam obrigadas a compartilhar informações coletadas pelos sistemas dos veículos, como trajetos, hábitos de deslocamento e imagens captadas por sensores e câmeras.

O cenário atual dos automóveis conectados, que utilizam microfones, GPS e sistemas de direção automatizada, transforma o veículo em uma ferramenta de coleta de dados em larga escala. A análise dessas informações, quando reunidas, permitiria identificar padrões de comportamento social e atividades econômicas, o que, para os defensores da medida, constitui um risco de inteligência caso esses dados sejam acessados por governos adversários.

Atualmente, o governo dos EUA já possui restrições em vigor. Uma regulamentação estabelecida durante a gestão de Joe Biden proíbe, a partir dos modelos 2027, a comercialização de determinados veículos conectados de fabricantes chinesas ou russas, além de restringir softwares de conectividade vinculados a esses países. As limitações para componentes de hardware estão previstas para entrar em vigor a partir dos modelos 2030.

O objetivo das fabricantes agora é converter essas diretrizes administrativas em uma lei permanente, evitando que as restrições sejam revogadas por futuras administrações. O projeto, denominado Connected Vehicle Security Act of 2026, foi apresentado pelos senadores Bernie Moreno e Elissa Slotkin e obteve aprovação unânime na Comissão de Comércio do Senado em julho. A expectativa da indústria é que a legislação seja votada antes do encerramento da atual legislatura, em dezembro.

Além da questão da segurança, o setor automotivo americano também enfatiza o aspecto comercial. A indústria local busca se proteger da concorrência de empresas chinesas que, segundo a associação, beneficiam-se de subsídios estatais e têm expandido sua presença global rapidamente. Dados indicam que a União Europeia importou mais de 1,1 milhão de veículos chineses nos primeiros oito meses de 2026, um volume que supera todo o ano anterior, o que reforça o temor das fabricantes americanas sobre a perda de mercado interno.

Fontes consultadas

Leia também