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Política

Flávio Bolsonaro é alvo de inquérito no STF por suspeita de lavagem de dinheiro

Investigação da Polícia Federal apura laços financeiros com o advogado Willer Tomaz a poucos dias do segundo turno presidencial.

Por 3 min de leitura

Flávio Bolsonaro é alvo de inquérito no STF por suspeita de lavagem de dinheiro
Flávio Bolsonaro é alvo de inquérito no STF por suspeita de lavagem de dinheiro

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) tornou-se alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) sob suspeita de lavagem de dinheiro. A apuração, conduzida pela Polícia Federal (PF), examina possíveis vínculos financeiros e operacionais entre o parlamentar e o advogado Willer Tomaz, empresário do setor de apostas que também é investigado por irregularidades envolvendo recursos do INSS.

O caso tramitava inicialmente na primeira instância da Justiça Federal no Rio Grande do Sul, focando em operações de plataformas de pagamento e sites de apostas. Contudo, devido ao foro por prerrogativa de função do senador, os autos foram remetidos ao STF e distribuídos por sorteio ao ministro Alexandre de Moraes, com manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República para a abertura formal do inquérito.

Entre os elementos levantados pelos investigadores, destacam-se mensagens eletrônicas que indicam que Flávio Bolsonaro constava como usuário com privilégios administrativos de nível master em uma conta bancária vinculada à offshore Alcazar Holding, associada a Willer Tomaz. Registros sobre o acesso apontam que uma solicitação para a retirada do parlamentar da conta foi feita em maio de 2025. A defesa do senador classificou as acusações como falsas e afirmou que a relação com o advogado é estritamente pessoal.

A apuração da Polícia Federal também abrange viagens internacionais realizadas pelo senador à Europa em 2025, cujos trechos de voos executivos teriam tido despesas arcadas por uma empresa ligada ao advogado, identificada como Cathedral. Os investigadores buscam determinar se houve uso de recursos empresariais para cobrir custos de caráter pessoal sem justificativa econômica legítima.

Além de Flávio Bolsonaro, o inquérito policial estende-se a outros nomes ligados à política fluminense, incluindo o ex-governador Cláudio Castro (PL) e o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). As frentes de investigação analisam suspeitas em uma licitação da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) realizada em 2022, bem como repasses financeiros direcionados indiretamente a Ramagem por meio de serviços de assessoria.

A revelação do inquérito ocorre na reta final da disputa eleitoral para o segundo turno presidencial, marcado para o próximo domingo, elevando a tensão política entre os candidatos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), adversário de Flávio no pleito, protocolou no Tribunal Superior Eleitoral uma autorização para a abertura de seus próprios sigilos bancário, fiscal e telefônico, desafiando o parlamentar a adotar medida semelhante em relação aos seus dados e de seus familiares.

A defesa de Flávio Bolsonaro protocolou formalmente um pedido ao ministro Alexandre de Moraes para ter acesso aos autos do inquérito e consultar os documentos reunidos pela investigação. Representantes jurídicos de Willer Tomaz também negaram irregularidades e questionaram a divulgação de informações de caráter sigiloso durante o período eleitoral, reiterando a legalidade de todas as participações empresariais do advogado.

Fontes consultadas

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