Inquérito contra Flávio Bolsonaro no STF gera apreensão na reta final
Investigação sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes apura suspeita de lavagem de dinheiro e movimenta os bastidores da campanha.
Um novo inquérito em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo o candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) instaurou um clima de forte apreensão na reta final da disputa eleitoral. A investigação, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, está sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes e gerou preocupação na campanha devido à possibilidade de decisões judiciais rápidas capazes de impactar o pleito.
O entorno do candidato avalia que a movimentação do processo ocorreu de forma atípica e acelerada para os padrões da Corte. Informações obtidas pelo comitê indicam que o caso foi remetido ao STF em 8 de outubro, autuado e distribuído a Moraes no dia 16 do mesmo mês. Aliados apontam que diligências já estariam em andamento antes mesmo da abertura de vista ao Ministério Público, embora a natureza sigilosa da apuração impeça a confirmação oficial dos atos executados.
A cúpula do Partido Liberal (PL) divide-se quanto aos efeitos políticos do inquérito. De um lado, há o temor de que alguma decisão de impacto seja emitida pelo relator ainda nesta semana, prejudicando o desempenho eleitoral nas vésperas da votação. Por outro lado, interlocutores avaliam que ações ostensivas no primeiro turno acabaram por beneficiar o candidato, o que poderia se repetir agora.
Outra leitura presente nos bastidores é a de que o ministro Alexandre de Moraes possa reter o andamento do processo para utilizá-lo como instrumento de negociação política no cenário pós-eleição. A hipótese é ventilada caso Flávio vença a disputa e o PL conquiste força para impulsionar pedidos de impeachment contra magistrados no Senado, onde o partido contará com maioria.
A origem da investigação remonta a apurações sobre o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro, que obteve licença para operar uma empresa de apostas esportivas, conhecida como bet, durante a gestão do ex-governador fluminense Cláudio Castro. O caso foi deslocado para o STF após a identificação de trocas de mensagens eletrônicas entre o parlamentar e o advogado.
A equipe jurídica da campanha sinalizou que pretende formalizar um pedido de acesso aos autos do inquérito. Aliados sustentam que o intercâmbio de mensagens decorre estritamente da relação de amizade de longa data entre ambos e asseguram que o senador não tem envolvimento com quaisquer irregularidades.
Em nota oficial distribuída à imprensa, o advogado Willer Tomaz refutou a ocorrência de ilícitos, confirmou que solicitou acesso aos registros processuais e afirmou que prestará todos os esclarecimentos devidos às autoridades. Na mesma manifestação, destacou que sua proximidade pessoal com o candidato não configura crime.