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Saúde

Pacientes no Brasil iniciam testes com tratamento injetável para HIV a cada 4 meses

Estudo clínico global avalia a eficácia e segurança da combinação de cabotegravir e rilpivirina aplicada três vezes ao ano.

Por 2 min de leitura

Pacientes no Brasil iniciam testes com tratamento injetável para HIV a cada 4 meses
Pacientes no Brasil iniciam testes com tratamento injetável para HIV a cada 4 meses

Pacientes brasileiros começaram a participar de um estudo clínico internacional para avaliar uma nova estratégia de longa duração no tratamento do HIV, baseada na combinação de dois antirretrovirais injetáveis aplicados a cada quatro meses. A pesquisa testa a eficácia e a segurança do cabotegravir e da rilpivirina com um intervalo estendido, comparando-os com a estratégia bimestral já adotada em outros países.

No Brasil, o ensaio clínico é liderado pela farmacêutica GSK e envolve dezenas de participantes distribuídos em centros de pesquisa localizados em diferentes estados, como São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Paraná. A iniciativa integra um esforço global que inclui nações como Estados Unidos, Canadá, Austrália, Reino Unido e Espanha, com conclusão prevista para setembro de 2029.

Atualmente, o tratamento oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) baseia-se majoritariamente no uso diário de medicamentos orais. O médico infectologista José Valdez Ramalho Madruga, pesquisador do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids de São Paulo, destaca que os medicamentos de ação prolongada representam uma grande inovação para a rotina dos pacientes.

Com a aplicação quadrimestral, o número de visitas anuais ao serviço de saúde cai pela metade em comparação com o esquema bimestral, reduzindo de seis para três idas ao ano. A nova modalidade também pode beneficiar pessoas que apresentam intolerância gástrica ou náuseas associadas aos comprimidos diários.

Fatores sociais e psicológicos também motivam o desenvolvimento de terapias injetáveis de longa duração. Segundo especialistas, a alternativa reduz o estigma associado ao diagnóstico, eliminando a necessidade de armazenar ou transportar comprimidos durante viagens, além de se mostrar vantajosa para populações vulneráveis, como pessoas em situação de rua ou privadas de liberdade.

Em outros países, como Estados Unidos, Canadá, Austrália e nações da União Europeia, a combinação de cabotegravir e rilpivirina já possui aprovação regulatória, mas em um formato de administração a cada dois meses. O estudo atual busca justamente estender esse período para quatro meses, ampliando as opções terapêuticas para quem já convive com o vírus.

A terapia antirretroviral atua controlando a replicação do HIV e reduzindo a carga viral no organismo, permitindo uma vida saudável aos pacientes. Quando o tratamento é seguido rigorosamente e atinge níveis indetectáveis, a transmissão sexual do vírus é interrompida, reforçando a importância da continuidade do acompanhamento médico e das inovações farmacológicas.

Fontes consultadas

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