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Política

Premier da Polônia é acusado de tentativa de golpe após cerco a tribunal

Ação policial no Tribunal Constitucional polonês aprofunda grave crise institucional e provoca o retorno antecipado do presidente ao país.

Por 3 min de leitura

Premier da Polônia é acusado de tentativa de golpe após cerco a tribunal
Premier da Polônia é acusado de tentativa de golpe após cerco a tribunal

Juízes e políticos da oposição na Polônia acusaram o primeiro-ministro Donald Tusk de tentar realizar um golpe de Estado nesta sexta-feira. A grave acusação veio à tona após a polícia ser enviada para cercar as dependências do Tribunal Constitucional do país, em um episódio que coroa uma intensa disputa de poder entre o chefe de governo e o presidente polonês, Karol Nawrocki, pelo controle da mais alta Corte de justiça.

A crise institucional escalou rapidamente depois que a magistrada Anna Korwin-Piotrowska, identificada como sendo ligada ao atual governo, determinou o afastamento do presidente do Tribunal Constitucional, Bogdan Święczkowski, e do vice-presidente, Bartłomiej Sochański. Ambos os magistrados depostos são alinhados ao presidente Nawrocki e haviam sido indicados durante administrações anteriores do partido nacional-conservador Lei e Justiça, conhecido pela sigla PiS.

Ao justificar a medida extrema, a juiza Korwin-Piotrowska alegou publicamente que vinha sendo impedida de exercer suas funções constitucionais na Corte. Imediatamente após a decisão, a magistrada e o procurador-geral Waldemar Zurek solicitaram a intervenção das autoridades policiais, argumentando que a medida era necessária para salvaguardar a integridade física de juízes e demais funcionários diante de potenciais ameaças no local.

Diante da repercussão imediata e das acusações da oposição, o primeiro-ministro Donald Tusk utilizou as redes sociais para defender a operação e a atuação de seu governo. O chefe de Estado afirmou que a prioridade é restaurar a legalidade nas instituições polonesas após anos de supostas ilegalidades cometidas sob a influência do partido PiS, que governou a nação entre 2015 e 2023.

Em uma publicação na rede social X, o premiê pontuou que o caminho para resgatar o Estado de Direito é árduo e por vezes doloroso, exigindo ações enérgicas por parte da administração pública. Apoiadores da oposição, por outro lado, classificaram a movimentação policial e o fechamento do tribunal como uma manobra autoritária para concentrar poder e subverter a ordem democrática.

A gravidade da situação política exigiu uma mudança drástica na agenda internacional do presidente Karol Nawrocki. Na altura em que a crise se desenrolava, o chefe de Estado estava a bordo de um voo oficial rumo ao Senegal. Diante do cerco policial e do agravamento do conflito institucional, ele ordenou que o avião presidencial interrompesse a viagem e retornasse imediatamente à Polônia.

Em declaração emitida durante o trajeto de volta, Nawrocki justificou a urgência de sua presença em território nacional. Com a volta antecipada do presidente e a polarização acentuada em torno do Tribunal Constitucional, a disputa entre o Executivo liderado por Tusk e a ala presidencial entra em um novo patamar de incerteza política no país europeu.

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