Primeiro exame de sangue para Alzheimer chega ao Brasil pela rede privada
Disponível inicialmente em Porto Alegre por cerca de R$ 3 mil, o teste foca em pacientes com suspeita clínica e busca agilizar o diagnóstico.
O primeiro exame de sangue para Alzheimer com registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária começou a ser ofertado nesta quinta-feira no Brasil, representando um avanço relevante na investigação de quadros cognitivos. Disponibilizado inicialmente no Hospital Moinhos de Vento, localizado em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, o procedimento custa aproximadamente R$ 3 mil na rede privada e é direcionado principalmente a pacientes que já apresentam sintomas e suspeita clínica da doença.
A nova tecnologia laboratorial tem como função medir os níveis da proteína p-tau217 no organismo, servindo como um indicador indireto do acúmulo de placas de beta-amiloide no cérebro. O método promete encurtar o caminho para a confirmação diagnóstica, oferecendo uma alternativa menos invasiva e com uma taxa de acurácia em torno de 90% quando comparada a técnicas tradicionais, a exemplo da punção lombar e do exame PET amiloide.
Eduardo Zimmer, head de pesquisa da Unidade de Neurociência do Hospital Moinhos de Vento, explicou que a análise agiliza o trabalho realizado por médicos especialistas. Em pesquisas internacionais recentes, a plataforma desenvolvida pela fabricante Fujirebio demonstrou alta precisão. Contudo, os especialistas apontam que os resultados podem apresentar uma faixa inconclusiva em até 20% dos casos, exigindo avaliações complementares em determinadas situações.
Por sua vez, Renato Anghinah, professor titular de neurologia da Faculdade de Medicina do ABC, ressaltou que o teste laboratorial é indicado estritamente para pessoas com mais de 50 anos que já demonstram declínio cognitivo evidente. Dessa forma, a realização do procedimento de forma preventiva em indivíduos completamente assintomáticos ainda não possui utilidade clínica comprovada ou validação de eficácia estabelecida pela medicina.
No âmbito da saúde pública, a chegada da nova tecnologia ao Sistema Único de Saúde ainda não possui previsão oficial. O Ministério da Saúde informou que não há pedidos formais em análise pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS.
Enquanto o exame de sangue não é integrado à rede pública de saúde, o Ministério da Saúde reforçou que o diagnóstico continuará fundamentado estritamente em avaliações clínicas conduzidas por profissionais e na realização de exames de imagem convencionais.