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Saúde

Hospital de Porto Alegre é o primeiro do país a oferecer exame para Alzheimer

Novo teste de sangue identifica biomarcadores da doença de forma menos invasiva e já está disponível na rede privada.

Por 3 min de leitura

Hospital de Porto Alegre é o primeiro do país a oferecer exame para Alzheimer
Hospital de Porto Alegre é o primeiro do país a oferecer exame para Alzheimer

Um exame de sangue capaz de auxiliar na investigação e no diagnóstico da doença de Alzheimer passou a ser oferecido no Brasil nesta quinta-feira. A tecnologia está disponível inicialmente de maneira privada no Hospital Moinhos de Vento, localizado em Porto Alegre, tornando a instituição a primeira do país a disponibilizar o teste aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

O procedimento tem custo estimado em cerca de R$ 3 mil e é realizado exclusivamente mediante prescrição médica. O teste foca na detecção da proteína p-tau217 no sangue, um biomarcador associado a alterações cerebrais características da enfermidade, como o acúmulo de placas de beta-amiloide.

Especialistas apontam que a inovação serve como uma alternativa menos invasiva e com boa relação de custo-efectividad em comparação aos métodos tradicionais de investigação. Atualmente, o diagnóstico costuma exigir exames de alto custo e complexidade, a exemplo da punção lombar para coleta de líquido cefalorraquidiano e da tomografia por emissão de pósitrons.

O chefe de pesquisa da Unidade de Neurociência do hospital porto-alegrense, Eduardo Zimmer, destacou que o recurso atua como um suporte para o médico especialista. Segundo o pesquisador, o exame deve ser somado à avaliação do estado mental, ao histórico clínico do paciente e a exames complementares para proporcionar uma jornada diagnóstica mais precisa.

Apesar da precisão apontada em estudos científicos internacionais, os especialistas ressaltam que o resultado do teste não deve ser interpretado de forma isolada e não constitui, por si só, um diagnóstico definitivo de demência. Os resultados podem ser classificados como positivos, negativos ou inconclusivos, sendo que uma faixa estimada entre 15% e 20% dos casos apresenta resultados intermediários que exigem avaliações adicionais.

O exame é indicado para pessoas com mais de 50 anos que já apresentam sinais de comprometimento cognitivo e passam por investigação médica. O procedimento não é recomendado como ferramenta de rastreamento indiscriminado para indivíduos saudáveis ou para aqueles que apresentam apenas queixas isoladas de esquecimento sem declínio cognitivo associado.

Enquanto o teste permanece restrito à rede privada neste primeiro momento, há expectativa de que o acesso seja expandido para planos de saúde e para o Sistema Único de Saúde ainda em 2026. A ampliação na rede pública deverá ocorrer por meio de parcerias vinculadas ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde, embora o Ministério da Saúde tenha informado que ainda não recebeu solicitações formais para avaliação pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS.

Fontes consultadas

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