Rendimento médio no Rio Grande do Norte cai 5,4% e registra maior retração do Nordeste
A queda na renda dos trabalhadores potiguares ocorreu no segundo trimestre de 2026, mesmo com o desemprego atingindo mínima histórica de 5,6% no estado.
O rendimento real médio habitual do trabalho no Rio Grande do Norte sofreu uma retração de 5,4% entre os segundos trimestres de 2025 e 2026, com o valor médio passando de R$ 3.023 para R$ 2.861. O dado, divulgado pelo Boletim Macro Regional do FGV IBRE com base na PNAD Contínua do IBGE, representa a maior queda registrada entre os nove estados da região Nordeste no período.
O resultado negativo chama atenção por coincidir com uma marca favorável no indicador de desocupação. No mesmo intervalo de comparação, a taxa de desemprego no estado recuou para 5,6%, o menor patamar da série histórica estadual iniciada em 2012 e abaixo dos 7,5% observados no segundo trimestre do ano anterior.
A disparidade foi ainda mais acentuada em Natal. Na capital potiguar, a renda média despencou 20,8% em um ano, saindo de R$ 4,810 para R$ 3,809. O impacto financeiro estimado pelo Instituto Fecomércio RN aponta uma redução acumulada de aproximadamente R$ 4,3 bilhões na massa de rendimentos do estado ao longo de 12 meses.
Especialistas apontam que a queda no rendimento e o avanço do desemprego em direções opostas refletem mudanças na estrutura do mercado de trabalho local. A taxa de participação econômica da população em idade de trabalhar caiu de 53,3% para 51,4% no estado, sinalizando que parte da melhora na taxa de desocupação ocorreu à medida que cidadãos deixaram a força de trabalho.
Outro fator determinante para o recuo salarial foi o desempenho desfavorável da indústria norte-rio-grandense, que acumulou baixa de 13,1% no primeiro semestre de 2026, o pior resultado nordestino no setor. A retração em segmentos industriais, tradicionalmente associados a faixas de remuneração mais elevadas, contribuiu para deprimir a média geral de ganhos dos trabalhadores ocupados.
Apesar da perda expressiva de poder de compra e da retração regional, o Rio Grande do Norte encerrou o trimestre com o segundo maior rendimento médio do Nordeste, ficando atrás apenas de Sergipe, cuja média alcançou R$ 3.042. Em contrapartida, a média regional nordestina cresceu 4,9%, atingindo R$ 2.645 no mesmo período.
O cenário impõe desafios econômicos às famílias potiguares, que enfrentam a desvalorização do trabalho mesmo diante de indicadores positivos no comércio varejista, que acumulou alta de 4,5% no primeiro semestre. A continuidade dessa tendência dependerá dos próximos levantamentos trimestrais do IBGE para confirmar se a perda de renda foi pontual ou estrutural.
Fontes consultadas
- Sena Madureira registra a maior queda na produção de macaxeira do Acre ac24horas.com
- Renda do trabalhador cai 5,4% no RN mesmo com desemprego em mínima histórica portaln10.com.br
- O que Flávio e Lula planejam para o mercado de trabalho e como os brasileiros devem ser impactados estadao.com.br
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