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Política

STF realiza audiência pública sobre medida provisória que proíbe as bets

Debate convocado pelo ministro Luiz Fux reúne representantes de diferentes setores para discutir os impactos da proibição das apostas online no país.

Por 3 min de leitura

STF realiza audiência pública sobre medida provisória que proíbe as bets
STF realiza audiência pública sobre medida provisória que proíbe as bets

Uma audiência pública sobre a medida provisória que proibiu as bets no Brasil foi realizada nesta terça-feira (3), a partir das 10h, no Supremo Tribunal Federal (STF). O debate foi convocado pelo ministro Luiz Fux, relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 8027, proposta pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL). A entidade pede que a Medida Provisória 1.394/2026, editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em setembro, seja declarada inconstitucional e que a Lei das Bets de 2023 seja validada.

O encontro reuniu dezenas de expositores, incluindo representantes de clubes de futebol, comércio, emissoras de rádio e televisão, setor de apostas e órgãos públicos. A sessão, transmitida ao vivo pelos canais oficiais de comunicação da Justiça, estendeu-se ao longo do dia para recolher subsídios técnicos e econômicos que devem auxiliar a Corte na análise do caso.

Na abertura do evento, o ministro Luiz Fux fez esclarecimentos sobre manifestações divulgadas nas redes sociais e destacou que o plenário do STF já havia debatido as consequências sociais e psíquicas das apostas em audiências anteriores realizadas em novembro de 2024. O magistrado pontuou que os prejuízos associados ao transtorno do jogo já são conhecidos pelo tribunal.

Antes do início dos debates, o presidente Lula publicou um apelo em suas redes sociais para que a sociedade civil acompanhasse a sessão. No vídeo, o chefe do Executivo afirmou que as coisas começaram a melhorar após o fechamento das plataformas e argumentou que a população não pode permitir a continuidade das apostas online, associando a atividade ao sofrimento de famílias de baixa renda.

Dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) indicam que o consumo no varejo alimentar cresceu em todo o país após a proibição da atividade pela via provisória. Estudos preliminares consideram que a interrupção das apostas colaborou para o aumento nas vendas de itens essenciais como arroz, óleo, macarrão e café.

Por outro lado, as entidades do setor de apostas, como a ANJL e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), sustentam que a interrupção abrupta das atividades fere a segurança jurídica e estimula a migração de apostadores para o mercado clandestino. Argumentos semelhantes foram apresentados por clubes de futebol e empresas ligadas ao ecossistema esportivo que dependiam de patrocínios de casas de apostas.

A Advocacia-Geral da União (AGU) defendeu a manutenção da proibição no STF, reiterando que existem sólidos motivos econômicos, sociais e de saúde pública para a medida restritiva. Enquanto o Supremo analisa os pedidos de suspensão, a medida provisória permanece em vigor, aguardando também a apreciação definitiva pelo Congresso Nacional.

Fontes consultadas

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