Disputa pela sucessão na ONU segue aberta após nova votação
Quinta rodada indicativa no Conselho de Segurança mantém ex-vice-presidente da Costa Rica na liderança, mas com queda no apoio.
A corrida para definir o sucessor de António Guterres no comando da Organização das Nações Unidas continua indefinida, após a realização da quinta votação indicativa no Conselho de Segurança em Nova York. A disputa ocorre em um cenário de impasses entre as grandes potências globais e aproxima-se do fim do mandato do atual secretário-geral, previsto para encerrar em dezembro.
A ex-vice-presidente da Costa Rica, Rebeca Grynspan, manteve a primeira colocação nas preferências dos membros, embora tenha registrado um recuo em relação à rodada anterior. Conforme informações de veículos especializados, o apoio a Grynspan caiu para nove votos, enquanto as rejeições subiram para seis.
Na segunda posição, o diplomata argentino Rafael Grossi avaliou o resultado como positivo e seguiu competitivo, apesar de ter perdido dois apoios e contabilizar seis votos desfavoráveis. A campanha de Grossi é impulsionada pelo governo da Argentina, mas enfrenta barreiras geopolíticas ligadas à oposição da Rússia e às tensões com o Reino Unido sobre as Ilhas Malvinas.
Analistas apontam que o desempenho de Grynspan na última quarta-feira ficou abaixo das expectativas, já que a candidata buscava consolidar ou ampliar sua vantagem da semana passada. A postulante costa-riquenha também enfrentaria resistências de Washington devido ao respaldo recebido de Pequim.
A disputa também conta com outras candidatas mulheres, como a ex-chanceler guyanesa Carolyn Rodrigues-Birkett, que caiu para a terceira colocação, e a diplomata equatoriana María Fernanda Espinosa. Historicamente, em seus 81 anos de existência, a ONU jamais foi liderada por uma mulher.
A votação ocorreu de forma secreta e sem o uso de cédulas coloridas, o que significa que ainda não é possível identificar se algum dos concorrentes enfrentou o veto formal dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, composto por Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido.
A presidência rotativa do Conselho, atualmente sob o comando da Grécia, avalia fixar uma nova data para o dia 16 de outubro. Esta próxima etapa poderá adotar o sistema de cédulas coloridas para evidenciar eventuais vetos das potências, o que é visto por especialistas como um passo necessário para destravar o processo de escolha.